O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, manifestou forte preocupação com o crescimento contínuo do crime organizado em Moçambique, em particular a chamada “indústria dos sequestros”, que, segundo estimativas avançadas pelo dirigente, já terá movimentado cerca de 450 milhões de dólares desde 2011.
A declaração foi feita no distrito da Massinga, província de Inhambane, à margem da cerimónia de empossamento dos coordenadores distritais do partido, um acto que marcou o reforço da implantação política do ANAMOLA a nível local e a sua aproximação às comunidades.

Após o evento, Mondlane dirigiu-se ao país através de um comunicado à Nação, no qual traçou um diagnóstico severo da situação socioeconómica nacional. No seu discurso, destacou a crise profunda na agricultura, o enfraquecimento do tecido industrial e o desemprego estrutural que, segundo afirmou, tem afectado milhões de moçambicanos ao longo da última década, com impacto particularmente grave sobre a juventude.
O líder do ANAMOLA apontou ainda o colapso do sistema de saúde, a precarização dos serviços públicos e o que classificou como uma desconexão entre o discurso político oficial e a realidade vivida pela maioria da população. Para Mondlane, a persistência destes problemas revela o fracasso das políticas públicas na criação de oportunidades e na promoção do bem-estar social.
No capítulo da função pública, defendeu a necessidade urgente de garantir condições dignas de sobrevivência aos trabalhadores do Estado, sublinhando a desvalorização dos professores, marcada pelo não pagamento de horas extraordinárias, as dívidas acumuladas com os profissionais de saúde e o abandono dos idosos, vítimas de um sistema de segurança social que considera ineficaz.
Crime organizado e insegurança
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi o alerta sobre a expansão do crime organizado. Mondlane denunciou a consolidação dos sequestros como um negócio altamente lucrativo, sustentado, segundo disse, por redes sofisticadas e pela alegada cumplicidade de elementos das Forças de Defesa e Segurança. Para o dirigente, esta situação tem contribuído para a fuga de empresários, a retração do investimento privado e o agravamento do sentimento de insegurança no país.

O presidente do ANAMOLA alertou igualmente para o tráfico de drogas, afirmando que Moçambique se tornou um importante corredor internacional do narcotráfico, frequentemente referido como a “costa da heroína”, com consequências devastadoras para a estabilidade social e institucional.
Democracia e oposição
No plano político, Venâncio Mondlane condenou o que classificou como intolerância política contra partidos da oposição, reiterando o compromisso do ANAMOLA com a democracia, o pluralismo e a defesa dos interesses da população.
Em sinal de apoio à mensagem apresentada, dezenas de cidadãos marcharam ao lado do líder partidário, num percurso que ligou o Mercado Grossista à vila-sede da Massinga. A iniciativa decorreu num ambiente descrito como pacífico, marcado por unidade, consciência cívica e manifestação popular de apoio às posições defendidas pelo partido.